quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Orgia

Na vida de um homem, passam alguns homens. Um cara tem várias histórias com outros caras, afinal de contas esse lance que mistura afinidade sem motivo com algumas outras coisas, e que foi denominado amizade, é um vínculo muito forte, talvez o mais forte dentre os vínculos voluntários. Acho que só o fato de ter a capacidade de ignorar vários preconceitos, inignoráveis por outros tipos de relação, já mostra sua força.

Passam, entretanto, muito mais mulheres que homens na vida de um cara.
O porquê disso, acho que cada um tem o seu. Mas as meninas estão aí, por todos os lados, te olhando com todo o tipo de olhar que existe.

O lance é que os sentimentos pelas outras pessoas não são estanques e nem exclusivos, de forma que as relações misturam características de vários deles, e talvez a gente identifique qual é apenas pelo trejeito preponderante (que também é mutante), ignorando o resto.

Eu diria que até mesmo as sensações são assim, o que possibilita a alteração da percepção do mundo pelos sentidos, como se a realidade, incluindo as relações humanas, fossem na verdade uma faixa de frequência.

Por isso gosto de gente que consegue oscilar um pouco a sintonia - dá para vibrar um pouco usando a antena alheia (num sentido totalmente não-sexual), para abordar a realidade com outra atitude, aprofundando um pouco mais o contato direto com o mundo, que ao mesmo tempo é o contato direto consigo próprio.

E fazer isso com uma menina, aí é que é legal. O que ela capta é muito diferente do que capto eu. Acho que um brasileiro é mais parecido com um bielorusso do que com uma brasileira, então dá pra aprender a falar até esperanto.